A prática de exercício físico intenso pode afetar negativamente a saúde hormonal e, consequentemente, a fertilidade feminina. Embora uma alimentação equilibrada, sono de qualidade, redução do stress e atividade física sejam fundamentais para quem procura engravidar, é possível que o excesso de exercício prejudique o equilíbrio hormonal necessário à conceção.
Os órgãos reprodutivos são particularmente sensíveis ao stress e à disponibilidade energética do corpo. Em comunidades agrícolas, como as Lese da Floresta Ituri no Congo, agricultoras no sul da Polónia e as Tamang no Nepal central, observou-se uma diminuição da função ovárica durante as épocas de colheita, períodos de elevado gasto energético. Esta redução na função ovárica traduz-se em ovulações menos frequentes e níveis mais baixos de estradiol e progesterona, resultando numa menor fecundidade durante esses períodos.
Estudos indicam uma relação entre atividade física vigorosa e um aumento no tempo necessário para engravidar. Por exemplo, exercícios intensos superiores a cinco horas semanais podem atrasar a conceção. No entanto, uma atividade física vigorosa moderada, entre uma a cinco horas semanais, pode ter um efeito positivo no tempo para engravidar, independentemente do índice de massa corporal da mulher.
A amenorreia induzida pelo exercício, caracterizada pela ausência de menstruação devido a treino excessivo e/ou ingestão calórica insuficiente, é comum entre atletas femininas, mas não é normal nem saudável. Estima-se que a prevalência de amenorreia seja de 30 a 50% em bailarinas profissionais e 50% em corredoras competitivas, enquanto em mulheres não atletas, esse distúrbio ocorre em apenas 2-5%. Esta condição indica frequentemente uma discrepância significativa entre as calorias consumidas e o gasto energético, levando o corpo a conservar energia e a interromper processos hormonais normais, como a ovulação e a menstruação. A amenorreia é frequentemente parte da “Tríade da Atleta Feminina”, que inclui também perda óssea/osteoporose e distúrbios alimentares.
A utilização de contraceptivos hormonais para “regular” ciclos menstruais em casos de amenorreia pode agravar o problema, pois não aborda a causa subjacente e pode diminuir a densidade óssea, aumentando o risco de fraturas. Além disso, estes contraceptivos podem esgotar nutrientes essenciais e estão associados ao aparecimento de sintomas depressivos.
Para manter a saúde reprodutiva, é crucial que as atletas femininas adotem hábitos alimentares adequados, incluindo refeições equilibradas, consumo de todos os grupos alimentares e ingestão suficiente de cálcio. Além disso, é importante adaptar os regimes de treino às necessidades específicas do corpo feminino. A sincronização do ciclo menstrual, que ajusta o treino e a nutrição às diferentes fases do ciclo, permite que as atletas trabalhem em harmonia com os seus corpos, potencialmente melhorando o desempenho e reduzindo o risco de lesões. Por exemplo, durante a fase folicular (início do ciclo), os níveis de estrogénio aumentam, o que pode favorecer atividades de maior intensidade. Já na fase lútea (após a ovulação), pode ser mais adequado focar em exercícios de menor intensidade e maior recuperação.
Em suma, embora o exercício físico seja benéfico para a saúde geral, é essencial equilibrar a intensidade e a duração da atividade física com uma nutrição adequada e considerar as necessidades específicas do corpo feminino para preservar a saúde hormonal e a fertilidade.
